Só mais um estranho...

14:25





Era uma sexta-feira nublada, um daqueles dias ideais para ficar em casa de baixo do cobertor. Mas eu estava a caminho de algum lugar, sentada em um banco de um ônibus silencioso, embora houvesse muita gente ali.

Foi então que você apareceu.

 No começo não reparei, afinal era só mais um estranho que se sentava ao meu lado. Mas a altura de seus fones de ouvido e o cheiro de seu desodorante  barato me chamou atenção.

Você parecia ter 20 e poucos anos, a barba estava por fazer e o cabelo meio bagunçado. Tinha um perfil bonitinho, e parecia distraído. Tentei disfarçar quando você, de repente, me olhou.

Sou aquele tipo de pessoa que fica imaginando o que se passa na cabeça de um estranho. No momento estava curiosa em relação a você. Talvez estivesse indo ao encontro de alguém naquela sexta-feira descolorida. Mas ainda não passava das 11 da manhã, e se fosse um encontro romântico não ocorreria durante a noite? Ou talvez você só estivesse a caminho do trabalho. Mas não havia mochila, uniforme, ou qualquer coisa relacionada a trabalho com você.

Não era um encontro, não era trabalho... então para onde iria com esses fones altos, a barba por fazer e o desodorante barato? Desculpe a curiosidade, mas você já estava me deixando intrigada. Novamente disfarcei quando você tornou a olhar com seus olhos castanhos.

Talvez eu não devesse saber sobre você...

Te vi levantar, acho que seu ponto final havia chegado. Observei enquanto você se encaminhava para a porta e deixava o ônibus. Vi você caminhar para algum lugar. Mas embora você já tenha ido, o cheiro de seu desodorante e todo o seu mistério permaneceu ali e me obrigou a escrever esse texto sobre você.

Leia também:

0 comentários